Quando falamos de segurança alimentar, um dos temas que mais geram dúvidas são os aditivos e, dentro deles, os antioxidantes. Afinal, será que fazem mal? Para que servem? E como podemos evitar o consumo excessivo?
Nos últimos anos, novas pesquisas trouxeram descobertas importantes sobre a real segurança e eficácia dessas substâncias.
Os aditivos alimentares são compostos químicos utilizados com o objetivo de aumentar a vida útil dos alimentos, além de os melhorarem as suas características organoléticas. Esses compostos fazem parte da nossa dieta quotidiana devido as mudanças nos nossos hábitos alimentares.
Embora muitas vezes provocam alguma desconfiança, os aditivos são regulados por entidades de segurança alimentar. Por sua vez deverão ser utilizados pela indústria alimentar após avaliação científica rigorosa. Entre os diferentes tipos de aditivos, destacam-se os antioxidantes, que desempenham um papel essencial na preservação da qualidade dos alimentos.
Afinal o que São Antioxidantes?

Os antioxidantes são um grupo específico de aditivos alimentares que geralmente são adicionados aos alimentos para prevenir a sua deterioração por oxidação (enzimática e lipídica).
O que é oxidação enzimática e oxidação lipídica?
Oxidação enzimática, podemos dizer que é o escurecimento que acontece quando cortamos algumas frutas como por exemplo a maçã ou a banana.
Oxidação lipídica, de uma maneira mais simples é a “ranço” ou o “cheiro a velho” que aparece em produtos muito gordurosos como óleos e manteigas.
Por outras palavras é um processo natural que pode alterar o sabor, o cheiro, a cor e até a segurança alimentar. Como podemos evitar que isso aconteça? A resposta é, “ através da adição dos antioxidantes”.
Exemplos de Antioxidantes mais utilizados
- Vitamina C (Ácido Ascórbico – E300): protege contra a oxidação e é também um nutriente essencial.
- Vitamina E (Tocoferóis – E306): utilizada em óleos, margarinas e produtos gordurosos.
- Ácido Cítrico (E330): ajuda a conservar o sabor e a cor.
- Butil-hidroxitolueno (BHT – E321) e Butil-hidroxianisol (BHA – E320): antioxidantes sintéticos usados em alguns alimentos processados.
Antioxidantes naturais vs. Sintéticos: Qual a diferença?
Os antioxidantes naturais, como a vitamina C, a vitamina E e os flavonoides, são encontrados em frutas, vegetais e outros alimentos naturais. Já os antioxidantes sintéticos, como o BHT (butil-hidroxitolueno) e o BHA (butil-hidroxianisol), são produzidos artificialmente e amplamente usados na indústria alimentícia para evitar a oxidação de óleos e gorduras.
Estudos recentes indicam que os antioxidantes naturais são mais eficazes e seguros a longo prazo, pois, além de combater os radicais livres, fornecem outros nutrientes essenciais como vitaminas, minerais, compostos bioativos e pigmentos naturais. Estes compostos protejam o nosso organismo contra os danos causados pelos radicais livres.
O Que São Aditivos Alimentares?
Os aditivos alimentares são substâncias adicionadas aos alimentos para melhorarem a sua conservação, aparência, sabor e textura. De forma simples, os aditivos alimentares são ingredientes que não fazem parte dos alimentos, mas que são adicionados intencionalmente durante o seu fabrico.
Eles podem ter funções, como:
- Conservantes – são substâncias químicas que ao serem adicionadas aos produtos prolongam o prazo de validade, evitando a deterioração por microrganismos. Sobre os conservantes existem diversas controversas em relação ao impacto na saúde á longo prazo. Mas existem legislação para regular a sua utilização tal como os demais aditivos, nos alimentos.
- Corantes – intensificam ou restauram a cor natural dos alimentos, tornando-os mais apelativos.
- Edulcorantes – substituem o açúcar, oferecendo sabor doce com menos calorias é utilizado em alimento cujo rótulo diz muitas vezes “zero % de açúcares adicionados”. Também são conhecidos como adoçantes.
- Estabilizantes e emulsionantes – os emulsionantes são aditivos que ajudam dois líquidos imiscíveis (água e o óleo) a se misturarem formando assim uma emulsão estável e duradouro. Os emulsionantes são adicionados nas maioneses, gelados, chocolates, bolos, margarinas etc. Já os estabilizadores ajudam a manter as emulsões estáveis durante mais tempo aumentando assim a durabilidade do alimento. A principal função dos estabilizadores e emulsionantes é ajudar a manter a textura e a consistência.
Todos os aditivos alimentares autorizados têm um número “E” (por exemplo, E300, E322), que identifica a sua função e aprovação pela União Europeia.
Portanto os antioxidantes estão sujeitos a uma estrita legislação que regula a sua autorização, uso e rotulagem.
Os Aditivos e a Segurança Alimentar
A segurança dos aditivos alimentares é uma preocupação constante, mas as autoridades reguladoras, como a EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança alimentos), realizam avaliações rigorosas para garantir que esses compostos sejam seguros para o consumo.
Todos os aditivos alimentares e antioxidantes passam por avaliações científicas antes de serem aprovados para consumo. Na União Europeia, esta avaliação é feita pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar), que define a Dose Diária Admissível (ADI).
Em Portugal a DGAV (Direção geral da alimentação e veterinária) regula o uso dos aditivos alimentares, através do Regulamento (CE) n.º 1333/2008 da UE, que estabelece a lista positiva de aditivos autorizados e as suas condições de utilização, e pelo Decreto-Lei n.º 121/98.
Isto significa que, quando usados dentro dos limites permitidos, os aditivos alimentares não apresentam riscos para a saúde.
Quais aditivos alimentares foram reavaliados?
Alguns aditivos foram alvo de novas pesquisas e reavaliações:
- Aspartame: Estudos recentes não encontraram evidências concretas de que pode causar cancro, reforçando sua segurança dentro das doses recomendadas.
- Dióxido de Titânio (E171): Segue banido na União Europeia devido a preocupações com sua absorção pelo organismo.
- Nitritos e Nitratos: Continuam sendo debatidos, mas novas formulações naturais podem reduzir os riscos associados ao seu consumo em enchidos.
Como evitar o consumo excessivo de aditivos alimentares?
Embora a maioria dos aditivos aprovados seja considerada segura, é recomendável adotar hábitos alimentares que minimizem sua ingestão. Por exemplo:
- Priorizar alimentos frescos e minimamente processados.
- Ler os rótulos e evitar produtos com uma longa lista de aditivos.
- Optar por alternativas naturais sempre que possível.
Conclusão
A ciência continua evoluindo e trazendo novas evidências sobre os impactos dos antioxidantes e aditivos alimentares na saúde. Nos últimos anos, as pesquisas reforçam que antioxidantes naturais são mais benéficos e que a regulação de aditivos segue garantindo sua segurança, desde que consumidos com moderação.
Os aditivos alimentares, incluindo os antioxidantes, são substâncias importantes para garantir que os alimentos chegam até nós seguros, com qualidade e sabor preservados.
Apesar de, muitas vezes, gerarem debate, é essencial compreender que a sua utilização é controlada e baseada em critérios científicos rigorosos.
Se quiseres fazer escolhas mais conscientes, lê sempre os rótulos e familiariza-te com os aditivos mais comuns.
Referências
- EFSA (European Food Safety Authority). Food additives database and scientific opinions. Disponível em: https://www.efsa.europa.eu
- WHO (World Health Organization). Food additives and contaminants. Disponível em: https://www.who.int
- FAO/WHO Codex Alimentarius. General Standard for Food Additives (GSFA). Disponível em: http://www.fao.org/fao-who-codexalimentarius
- National Institutes of Health (NIH) – Office of Dietary Supplements. Antioxidants: In Depth. Disponível em: https://ods.od.nih.gov/factsheets/Antioxidants-HealthProfessional
- EFSA Journal. Scientific opinions on Aspartame and other food additives (2023-2025)
- IARC/WHO Joint Evaluation on Aspartame (2023)
- Journal of Food Science; Food and Chemical Toxicology; Trends in Food Science & Technology (edições de 2023 a 2025); Nature Reviews Food
- https://www.products.pcc.eu/pt/blog/emulsificantes-usados-na-industria-alimenticia/Science