A Verdade Sobre os Aditivos Alimentares: Inofensivos ou Perigos Ocultos?

A segurança alimentar é um tema que desperta cada vez mais interesse entre consumidores e profissionais de saúde. Dentro deste universo, os aditivos alimentares ocupam lugar central, gerando debates, dúvidas e até receios sobre os seus efeitos na nossa saúde a longo prazo.

Ao longo das últimas décadas, a ciência e as autoridades reguladoras têm intensificado os estudos sobre essas substâncias, avaliando riscos, benefícios e limites seguros de consumo. Ainda assim, para quem faz compras no supermercado, a dúvida permanece: será que estamos a fazer boas escolhas quando consumimos alimentos industrializados?

Neste artigo, vamos responder às principais questões:

  • O que são, afinal, os aditivos alimentares?
  • Para que servem e porque são usados pela indústria?
  • São realmente seguros ou escondem perigos?
  • Como reduzir o seu consumo no dia a dia?
Ler os rótulos dos produtos ajuda a obter informação sobre os ingredientes e aditivos alimentares

O que são os aditivos alimentares?

Os aditivos alimentares são substâncias adicionadas a alimentos e bebidas com funções específicas, como:

  • prolongar a conservação;
  • melhorar a aparência e a cor;
  • realçar o sabor e a textura.

São sempre identificados nos rótulos, na lista de ingredientes, com a respetiva função (ex.: corante, conservante, antioxidante, acidificante, adoçante, aromatizante). É importante sublinhar que não têm valor nutricional, ou seja, não fornecem nutrientes ao organismo — apenas desempenham uma função tecnológica no produto.

Curiosidade: Nem todos os aditivos são artificiais. O sal e o açúcar, por exemplo, também são considerados aditivos quando utilizados para conservar alimentos — como o bacalhau seco ou as compotas de fruta.

Aditivos alimentares: naturais vs. sintéticos

  • Naturais: extraídos de plantas, minerais ou animais (ex.: curcumina, beterraba em pó, pectina).
  • Sintéticos: produzidos em laboratório, mas com a mesma estrutura química que a substância natural.

Ambos passam por rigorosos processos de avaliação antes de serem autorizados.

Os aditivos alimentares são seguros?

A questão da segurança dos aditivos é um dos tópicos mais discutidos. Para garantir que só são utilizados aditivos seguros, entidades como a EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) realizam avaliações científicas detalhadas antes da sua aprovação.

Na União Europeia, o uso de aditivos é regulado pelo Regulamento (UE) n.º 1129/2011, que define:

  • em que alimentos podem ser utilizados;
  • qual a sua função tecnológica;
  • qual a dose diária aceitável (DDA) para consumo humano.

Sempre que surgem novas evidências científicas, a lista de aditivos permitidos é atualizada e publicada nos portais oficiais, disponíveis para consulta pública.

Em resumo: os aditivos alimentares são considerados seguros, desde que consumidos dentro dos limites definidos e sem exageros.

Aditivos alimentares que foram reavaliados recentemente

Nos últimos anos, alguns aditivos foram alvo de reavaliações importantes:

  • Aspartame (adoçante artificial) – Estudos recentes da EFSA e da OMS não encontraram provas consistentes de risco cancerígeno quando consumido dentro das doses recomendadas.
  • Dióxido de Titânio (E171) – Proibido na União Europeia devido a preocupações com a sua absorção no organismo. Era muito usado para dar cor a guloseimas, molhos e bebidas.
  • Nitritos e Nitratos – Frequentemente usados em carnes processadas (salsichas, fiambre, enchidos). Continuam a ser avaliados devido à possível formação de compostos nocivos, embora alternativas naturais já estejam em estudo.

Como reduzir o consumo excessivo de aditivos?

Apesar de seguros dentro dos limites legais, o consumo exagerado de alimentos processados pode aumentar a exposição a aditivos. Para manter uma alimentação saudável, seguem algumas estratégias práticas:

  • Prefira alimentos frescos e minimamente processados;
  • Leia sempre os rótulos e evite produtos com listas extensas de aditivos;
  • Opte por alternativas caseiras e naturais sempre que possível;
  • Modere o consumo de refrigerantes, snacks, doces industriais e enchidos, que costumam conter mais aditivos.

Conclusão: Aditivos alimentares são amigos ou inimigos?

A ciência mostra-nos que, quando usados dentro das normas, os aditivos alimentares não representam um perigo imediato para a saúde. O grande desafio está no excesso de alimentos ultraprocessados, que podem levar a desequilíbrios nutricionais, independentemente da presença de aditivos.

Assim, a resposta é clara: os aditivos alimentares são seguros, mas a chave está no equilíbrio e na moderação.

Quer saber mais sobre segurança alimentar?

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Referências

  • EFSA (European Food Safety Authority). Food additives database and scientific opinions.
  • WHO (World Health Organization). Food additives and contaminants.
  • FAO/WHO Codex Alimentarius. General Standard for Food Additives (GSFA).
  • EFSA Journal (2023-2025). Scientific opinions on Aspartame and other food additives.
  • IARC/WHO Joint Evaluation on Aspartame (2023).
  • Journal of Food Science; Food and Chemical Toxicology; Trends in Food Science & Technology; Nature Reviews Food Science.

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