Os alimentos que mais causam intoxicações alimentares no verão

O verão é a época do ano que nos convida à convívios com os nossos familiares e também os amigos. É a altura ideal para piqueniques, churrasco no jardim, petiscos na praia, saladas frescas no almoços e nos jantares. É uma festa para os nossos sentidos e claro, para a mesa também. Mas há que ter atenção porque as vezes aparece um convidado indesejado: a intoxicação alimentar.

Com o calor, as bactérias multiplicam-se muito mais rapidamente nos alimentos dando origem as intoxicações alimentares no verão. O que de manhã estava bom à hora do almoço pode ser um problema. E o pior é que muitas vezes nem damos conta até aparecerem sintomas como as náuseas, a diarreia ou os vómitos.

Em Portugal, os casos de intoxicação alimentar aumentam significativamente entre junho e setembro. A ASAE regista anualmente um pico de participações neste período. E a maioria dos casos acontece em casa não em restaurantes.

Então, quais são os alimentos que temos que ter mais cuidado? Vamos ver?

1. Frango e outras aves

frango cru inteiro, em cima de uma tabua de corte , com algumas ervas aromaticas a decorar.
Foto: Hayley Ryczek /unsplash

O frango é provavelmente o alimento mais associado a intoxicações alimentares em todo o mundo e com razão. De acordo com a EFSA a bactéria Campylobacter e a Salmonella estão frequentemente presentes em aves cruas, e no verão o risco aumenta ainda mais.

O risco para a saúde humana surge do consumo de carne mal passada ou de contaminação cruzada entre alimentos. Por isso, uma cozedura adequada evitando sempre deixar os alimentos mal passados e uma boa higiene na cozinha podem prevenir ou reduzir significativamente o risco que estes alimentos possam representar.

Também pode ocorrer contaminação quando o frango e outras aves ficam demasiado tempo fora do frigorífico, os seus sucos de descongelação por exemplo entra em contato com outros alimentos já prontos a consumir.

Nos churrascos/grelhados que fazemos com muita frequência no verão, este risco é maior. Muitas pessoas tem o hábito de usar o mesmo tabuleiro para o frango cru e para o frango já grelhado ( não e não adianta coloca-los em partes separados no mesmo tabuleiro). Parece um pormenor, mas pode ser o suficiente para estragar o dia ou o fim de semana de toda a família.

2. Ovos e alimentos com ovos crus

Os ovos são outro clássico do verão e não só, é um dos mais perigosos quando não são bem manuseados. A Salmonella pode estar presente tanto na casca como no interior do ovo, e sobrevive bem em temperaturas amenas.

O risco maior está no ovo mal passado e nos preparados com ovo cru nomeadamente:

✅ Maionese caseira,

✅ Mousse de chocolate,

✅Tiramisu,

✅ cremes de pastelaria. No verão, estes preparados deterioram-se muito rapidamente fora do frigorífico.

A regra de ouro é simples: qualquer preparação com ovo cru tem de ser mantido sempre no frio e ser consumida no próprio dia em dias mais quentes.

3. Peixes e mariscos

peixes e camarão expostas sobre gelo picado para evitar intoxicações alimentares no verão
Foto: Engin Akyurt /unsplash

Com a chegada do verão, o consumo de peixe e marisco aumenta, seja nas refeições em casa ou nos restaurantes. Mas há um pormenor que não devemos esquecer: estes alimentos são muito sensíveis à temperatura e podem deteriorar-se rapidamente quando não são corretamente conservados.

O Vibrio é uma bactéria que contamina os mariscos e bivalves como ostras e amêijoas. Esta bactéria pode causar intoxicações severas, especialmente em pessoas com o sistema imunitário mais frágil. A listeria e outros agentes também são preocupações reais. O salmão fumado, o peixe cru (sushi) e os bivalves são suscetíveis de causarem problemas graves, não só no verão mas no ano todo.

O peixe e o marisco não devem ser transportados para piquenique ou praia sem estar acondicionadas corretamente no frio. Se for fazer um convívio nesses locais, opta por alimentos que não se estragam facilmente e acondiciona-os de modo adequado.

E o sushi ou sashimi? Só em restaurantes de confiança, com cadeia de frio garantida.

4. Arroz cozinhado

Este é um dos menos conhecidos mas um dos mais traiçoeiros. O arroz cozinhado pode conter esporos de Bacillus cereus, uma bactéria que sobrevive à cozedura e que, quando o arroz arrefece lentamente à temperatura ambiente, começa a produzir toxinas, ou por outras palavras veneno.

O arroz deixado a temperatura ambiente mais de duas horas, pode ser um risco real e no verão este processo é ainda mais rápido.

A solução é simples: o arroz cozinhado deve ser guardado no frigorífico rapidamente, no máximo duas horas depois de cozinhado e deve ser reaquecido bem antes de comer.

Quando o arroz não é cozido, nem arrefecido correctamente, esta bactéria produz toxinas invisíveis que não têm cheiro, nem sabor… e que o calor não destrói.


5. Saladas e vegetais frescos

taça com salada fresca de tomate, folhas verdes e azeitonas pretas
Foto: Grooveland designs/unsplash

As saladas parecem inofensivas, mas são um dos principais veículos de contaminação no verão. Folhas de alface, espinafres, rúcula todos podem trazer bactérias como E. coli ou Listeria se não forem bem lavados e desinfetados. Como sabemos as saladas com folhas verdes entre outros, não são submetidos a temperaturas de cozedura para poder matar os microrganismos por isso é importante ter uma higinização adequada.

Devem ser mantidas sempre no frigorifico e retiradas mesmo na altura de as servir pois se ficarem expostas a temperatura ambiente favorece o crescimento microbiológico . O azeite e o vinagre não protegem contra bactérias.

Além disso, os vegetais cortados têm muito mais superfície exposta, o que acelera a proliferação bacteriana. Corta sempre os vegetais o mais próximo possível da hora de servir.

6. Natas, chantilly e bolos de pastelaria

Os bolos de pastelaria com recheios de natas, chantilly ou cremes de ovos são um perigo clássico no verão. Estas preparações são um ambiente perfeito para as bactérias se multiplicarem ricas em proteínas, húmidas e muitas vezes mantidas fora do frio por demasiado tempo.

Num aniversário nos meses mais quentes ao ar livre, ou não, um bolo com natas exposto ao calor durante duas ou três horas pode ser suficiente para causar mal-estar a várias pessoas. A regra é clara: bolos com recheios frescos devem estar sempre refrigerados até ao momento de servir. Combinado?

7. Carne mal passada ou mal descongelada

Hambúrgueres, bifes, carne picada ou qualquer carne que não seja bem cozinhada no centro representa um risco. No verão, o problema começa muitas vezes antes de chegar a etapa da cozedura : a descongelação incorreta. Sim sim, percebeu bem. Por isso deve-se sempre deixar cozinhar muito bem a carne e os outros alimentos que são suscetíveis de causarem intoxicações alimentares no verão.

Descongelar carne à temperatura ambiente, em cima do balcão durante horas, é uma prática comum mas não tão segura. O exterior da carne atinge rapidamente temperaturas que favorecem a multiplicação bacteriana, enquanto o interior ainda está congelado. Com isso poderá haver um crescimento microbiano acelerado na carne mesmo antes de estar totalmente descongelado. Os sucos de descongelação também pode favorecer o crescimento de microrganismos. o ideal é colocar num recipiente que contém separação para os líquidos escorrerem e não ficarem em contacto com a carne.

Dica : A descongelação deve ser sempre feita no frigorífico, com antecedência, ou no micro-ondas imediatamente antes de cozinhar.

Como proteger a tua família — dicas práticas

Não precisas de deixar de aproveitar o verão à mesa. Basta seguires algumas regras simples para evitares intoxicações alimentares no verão:

  • Mantém a cadeia de frio — os alimentos perecíveis não devem estar mais de duas horas fora do frigorífico. Com calor acima de 30°C, esse tempo reduz para uma hora.
  • Usa malas térmicas — na praia ou em pic-nics, são essenciais para transportar alimentos com segurança.
  • Separa os alimentos crus dos cozinhados — nunca uses o mesmo utensílio ou superfície sem antes lavar e desinfetar.
  • Lava bem as mãos — antes e depois de manusear alimentos, especialmente carnes e ovos.
  • Não guardes sobras demasiado tempo — no verão, as sobras devem ser consumidas no dia seguinte no máximo.
  • Cozinha bem os alimentos — especialmente aves, carnes picadas e ovos. A temperatura interna deve atingir os 75°C.
  • Desconfias do aspeto ou do cheiro — se tiveres dúvidas, não arrisques.

Se sentires sintomas, não ignores

Os sintomas de intoxicação alimentar — náuseas, vómitos, diarreia, dores abdominais e febre — aparecem geralmente entre 1 a 72 horas após a ingestão do alimento contaminado. Na maioria dos casos, passam ao fim de alguns dias com repouso e hidratação.

Mas em crianças pequenas, idosos, grávidas ou pessoas com doenças crónicas, uma intoxicação alimentar pode ser grave. Se os sintomas forem intensos ou persistirem, procura assistência médica.

conclusão

A segurança alimentar não é complicada. É acima de tudo, uma questão de hábitos. Com pequenas precauções no dia a dia, consegues proteger a tua família e continuar a aproveitar tudo o que o verão tem para oferecer , sem sustos à mistura.

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